2010

Até agora, não tenho nada a reclamar sobre o ano de 2010.

A Conquista do Espaço

Não creio que eu tenha pensado tanto na conquista do espaço quanto nos últimos meses. Descobre-se que este é um termo tão amplo que nos faz querer saber mais sobre ele em si. Tenho pensado na cidade, na casa e na vida, além do que há além do céu, onde habitam os astronautas.

Invejo muito as cidades feitas para andar a pé. O prazer de avançar na rua com seus próprios passos, e não protegido e climatizado por vidro e metal, é verdadeiramente ímpar. Existe uma relação de amor com a arquitetura e o urbanismo, uma preocupação em manter tudo aquilo vivo e bem cuidado. Creio até que se faz um povo mais unido e mais feliz. Esta é uma conquista do espaço: o espaço urbano, principalmente o centro. Sinto muito isso no Recife, com toda aquela vida pululando ao redor do Marco Zero, à beira-mar. Ali, onde a cidade nasceu, assiste-se o nascer do sol com as ondas indo e vindo, os barquinhos sendo remados e as pessoas acordando pouco a pouco. Sim, eu sou apaixonado pelo Recife. Tenho nele lembranças e sensações que guardo com muito carinho.

Outra conquista do espaço é a nossa própria. Chega-se uma hora que uma decisão é tomada: a de moldarmos o nosso próprio ninho. Começar uma casa e manter uma são tarefas homéricas, mas é nela que se reflete nossos trejeitos e manias. A roupa pendurada, o quadro na parede e a meia no chão são afirmações de que este espaço está conquistado. São os primeiros passos de uma vida inteira, cujas rédeas estão sendo passadas a nós. Tenho a sorte de ter meu cantinho e dividí-lo com pessoas que são muito especiais para mim. Achar um lugar para chamar de seu tem ficado cada vez mais difícil, vejo por minha própria experiência e de uma amiga que luta contra toda a burocracia imobiliária, mas a recompensa vale o esforço.

Mais outra conquista é do espaço pessoal, o meio que vivemos e nos relacionamos. Nem sempre é simples navegar através dele: os altos e baixos e os desafios desanimam muitas vezes, mas (continuando na analogia marítima) é preciso de um porto seguro. A família e/ou um grupo de amigos fazem toda a diferença nas horas difíceis ou nas horas festivas. Eu celebro todas as pessoas que tive o prazer de conhecer e construir histórias junto. Isto vai muito além da conquista, é o compartilhamento do espaço.

Queria expor neste post um pouco das minhas elocubrações a respeito da multiplicidade de significados de espaço, e reforçar o que James T. Kirk e Jean-Luc Picard, capitães da USS Enterprise, sempre falaram: Espaço, a fronteira final.

Memorabilia

Estive de mudança há uns dias atrás, como alguns de vocês sabem, e é um processo demorado de pequenas coisas que você vai lembrando que tem que levar daqui pra lá e reorganizar velhas tralhas que ficaram amontoadas em algum canto. Nessas e outras, encontrei uma miríade de pequeninas lembranças que guardei e continuo guardando.

Eu gosto de guardar coisas, e isso era o terror da minha mãe. Quando você é um postulante a pré-adolescente, esse excesso de papéis, objetos, placas e/ou coisas bobas acaba virando um pesadelo para sua mãe, que não consegue ver o quarto do filho se enquadrar em sua definição de limpeza e organização. Primeiro, comecei guardando as coisas que me pareciam mais óbvias: cartas de amigos. Cartas trocadas em aula, amores enviados pelo correio, perfumes que ficam para sempre na nossa memória. É claro que eu ia guardar isso. Logo em seguida, comecei a ter uma carteira, e ali começaram a surgir os ingressos de cinema e outros espetáculos e eventos que eu ia. Já que estava na carteira, por quê não acumular junto com as cartas? Uma lata de biscoito foi eleita e meu pequeno baú começou. Guardei de tudo. Panfletos, raspas de madeira, pequenos papéis com sorrisos, papel de bala, objetos indecifráveis… Você podia me pedir para guardar qualquer coisa (como aconteceu) e eu cumpria e devolvia anos mais tarde (como aconteceu).

Uns anos atrás, fiz uma limpeza e joguei fora coisas que não tinham mais significado ou que simplesmente o tempo fez desaparecer, o que é uma pena. Mesmo as lembranças materializadas em objetos se vão embora e temos que, finalmente, nos separar delas.

Até hoje eu guardo coisas, e quando encontro acidentalmente uma delas um sentimento bom invade meu estômago. É bom sentir que você construiu algo, que possui histórias para contar: eu acredito que este é um bom sentido para se ter na vida. Esses pequenos objetos que guardo são as provas de que as menores coisas podem mudar todo um dia.

Ser feliz ou ser livre?

Se você só pudesse optar por essas duas opções, qual você preferiria?

Eu tenho a minha opinião, mas gostaria mesmo é de começar uma discussão a respeito. Acredito ser um assunto muito polêmico e que pontos interessantíssimos podem ser lançados.

Quem quiser papear a respeito, dê sua opinião nos comentários deste post!

Era de Consequências

Eu penso muito no passado. Penso na imensa cadeia de fatos que se interligaram e criaram o presente e tecerão o futuro. Eu acredito que sou a soma inexorável das minhas experiências. Eu me maravilho com tudo isso e gosto, assim, de estudar a história das coisas e a minha própria. Vejo em tudo o que acontece uma lição a ser aprendida e uma história a ser contada. Acredito no poder das histórias. Acredito no poder das lições.

Nos maiores desastres mundiais, tanto em termos naturais, quanto sociais, econômicos e políticos, existe uma mudança de direções da população responsável e afetada, o que gera um período de prosperidade e esperança que dura até o próximo desastre, é claro. A história do mundo e as nossas próprias acabam sendo uma sequência de erros, os quais vamos aprendendo a encarar e superar, evoluindo para novos entendimentos e novas realidades.

Sendo assim, tenho esperança no futuro. Cultivo pequenos e grandes sonhos, pessoais e mundiais. Por mais que [me] digam que algumas coisas são impossíveis, eu não acredito nisso. Nada é essencialmente eterno. Nenhum sentimento, opinião, edificação ou substância dura para sempre, por isso sei que todos os sonhos são possíveis.

Acredito, também, que realizar um sonho é chegar a um estado de imutabilidade. É o fim de uma sequência de idéias e ações que culminaram no instante da realização, nada havendo além. Por isso, não quero nunca parar de sonhar. Quero continuar a ter o prazer da busca e a alegria do instante, juntar mais uma causa às minhas consequências.

Sou fruto do meu passado. Não nego nada que eu tenha ou não feito. Hoje estou aqui por puras consequências de minhas decisões, e não me envergonho disso. Por causa do encadeamento delas, aprendi muitas coisas sobre muitos assuntos, e sei lidar melhor com o que se apresenta diante de mim e reconhecer melhor erros e suas consequências.

Tentei por muitas vezes tentar reviver sensações e situações da minha história, mas aprendi que não se espreme do passado mais do que ele lhe proporcionou. Há somente uma direção a seguir: para frente. Só podemos construir coisas novas e aproveitar-lhe as sensações e situações que surgem. Os erros do passado são imutáveis, mas podemos contar com eles para nos aconselhar e ajudar a trilhar os novos caminhos. Novos erros virão, invariavelmente, porém estaremos melhor preparados.

Esta é a minha era das consequências. A era das protelações, das meia-medidas, das ações a curto prazo, dos adiamentos, terminou, e eu celebro isso.

Intervalo II

Esta semana foi bem corrida e não tive tempo hábil para fazer um post bacanoso para este blog tão maroto.

Hoje é promessa: pelo menos um novo post. Tenho uma cabeça cheia de idéias para serem descarregadas aqui.

Enquanto isso, tive hoje, pelo menos, meia dúzia de sonhos muito bizarros, envolvendo o apresentador do Globo Esporte, uma festa estranha com gente esquisita, estar estacionado em uma rua comendo pastel e tomando caldo de cana, uma conspiração revolucionária, entre outros.

Um feliz domingo de sol para todos!

Blog móvel

Que moderno esse WordPress, agora posto de qualquer lugar!